eu não quero que acabe

Passo após passo, caminho até meu destino. Me deparo com uma porta laranja. Giro a maçaneta dourada e entro. As quatro paredes amarelas me assustam e o quadro negro me encara. Avisto a minha cadeira, meio torta-meio reta. Me sento e abro minha mochila a procura das muitas anotações perdidas. Por trás das lentes dos meus óculos refletem meus garranchos e eu aperto os olhos para entender o que está escrito. A porta laranja abre, e a cada minuto entra um ser diferente. Nunca tinha parado para analisar as pessoas a minha volta, e agora eu as via com outros olhos.

Uma garota branca com cabelos pretos entra com a cabeça baixa e ao me ver abre um sorriso. Um chumasso de cabelos aparece pela fresta. Na mão, só uma caneta. Ele se joga na carteira e dorme. As pessoas continuam a chegar, eu reconheço cada rosto e começo a imaginar minha vida sem eles. Esse ritual se repete a cada dia. a cada hora. Eu quero aproveitar cada segundo, mas tenho medo de me apegar cada vez mais e esse segundo ser crucial quando eu precisar me deixar levar. Eu não quero que acabe. Eu não quero que acabe. Eu não quero que acabe. Eu não quero que acabe. Eu não quero que acabe. Eu não quero que acabe. Mas vai acabar. E de cada momento, pra sempre eu vou lembrar.


"Em tão pouco tempo temos muito que aprender
Pra saber que quando acaba, acaba e faz crescer"

quinta-feira, 16 de outubro de 2008 @