Pega na mentira

Mentira é um artefato multifuncional. Seja por bem, seja por mal. Para roubar ou afagar. Um dom de todos, o qual cada um escolhe de que lado usar.

Zoraide era do tipo humilde, louca das idéias, disposta a se casar com um qualquer. Assim que chegava a temporada na cidade, ela logo corria atrás dos bigodes que lhe davam bola. Todos morriam de encantos por ela. Soldados, atendentes e banqueiros. Mas todos a deixavam. Até Marco.
Marco era novo no exército, e novo na cidade. Quando Zoraide avistou o rapaz de farda, logo puxou papo. Pobre Marco, passou cada noite a deriva da tal moça. E foi aí que o golpe da barriga entrou em ação.
Não se passou muito tempo e toda a cidade já esperava pelo bebê. A cada dia a mentira aumentava, até virar uma avalanche. E bater. O que Zoraide não esperava é que sua amiga - a quem confiou todo o seu plano - se apaixonou por Marco, e resolveu ir a praça da cidade, delatar Zoraide.
A cidade urrava inconformada quando Zoraide finalmente deu as caras gritando: - Quem nunca mentiu pelo próprio bem, que atire a primeira pedra! - e veio a chuva de pedras. Assim, Zoraide morreu, como prova viva - ou não - de que em um mundo onde todos mentem, a minoria sem poder é que é apedrejada.


o que a falta de fazer não faz com as pessoas..
Ah! não abandonei isso aqui não, aliás, logo logo novidades, novos projetos e mimimi :D

quinta-feira, 20 de novembro de 2008 @